Autor Tópico: Reflexões sobre a escolha de um telescópio  (Lida 1674 vezes)

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Offline Guilherme de Almeida

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Reflexões sobre a escolha de um telescópio
« em: Novembro 27, 2006, 09:44:23 am »
Escolher um telescópio

Pressionados pela pressa de ter um telescópio, muitos observadores arrependem-se frequentemente das escolhas de impulso.
É sempre boa ideia uma pessoa documentar-se antes. E ver, ao vivo, diversos telescópios. Saber o que esperar deles, senti-los, tocá-los, experimentá-los é um ponto de partida a não perder.

Convém saber que o valor de um astrónomo amador não se mede necessariamente pelo telescópio que tem em casa.

Há uma enorme variedade de modelos, escolhas e acessórios. Impõe-se uma decisão acertada.

Encontram-se diversas recomendações no artigo que se pode consultar através do link

http://www.astrosurf.com/apaa/GA/O_%20t ... _ideal.pdf

Boas escolhas
Guilherme de Almeida
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por Guilherme de Almeida »


Guilherme de Almeida

Offline joaquim candeias

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Re: Reflexões sobre a escolha de um telescópio
« Responder #1 em: Fevereiro 10, 2013, 04:16:08 pm »
Caro Professor Guilherme,
Peço desculpa da ousadia em estar a ocupar o seu tempo. Gostaria, se estiver para me aturar, de lhe pedir uma opinião.
Tenho máquinas suficientes e alguma facilidade em construir telescópios e acesso a material para o efeito. Ainda não desisti de ter uma câmara de vácuo para sublimação de alumínio, mas, enquanto isso não acontece, gostaria de tentar uma coisa: Hoje há no mercado vidros do tipo borofloat 33, com boa qualidade óptica e baixo coeficiente de dilatação. Fazendo um espelho com duas faces curvas, espelhado atrás, mesmo com tratamento anti-reflexo da face frontal iremos ter a imagem da face frontal a focar um pouco mais à frente, fazendo um halo à volta de uma estrela.
Será que, tentando um ligeiro acentuar da curvatura da face frontal, (que irá encurtar ligeiramente a distância focal dessa face, ao mesmo tempo que faz divergir um pouco mais a reflexão da face posterior, juntando as duas imagens, sem introduzir cromatismo significativo), a diferença de tamanho das duas imagens seria notória, ou conseguir-se-ia um bom telescópio, ultrapassando o problema da aluminização?
Obrigado pela atenção.
Joaquim Candeias

Offline Guilherme de Almeida

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Re: Reflexões sobre a escolha de um telescópio
« Responder #2 em: Fevereiro 23, 2013, 11:29:59 pm »
Boa noite,

Essa solução parece-me estranha. O que pretende obter com esse procedimento? Alguma vantagem especial?
Note que, fazendo com diz, a imagem formada com a face frontal será muito ténue, pois o vidro com simples tratamento anti-reflexo, reflecte cerca de 1,5% e a face aluminizada reflectirá uns 89%. Ou seja, o brilho das duas imagens será de cerca de 59 para 1. Mas porque não o faz espelhado à frente com protecção SiO2 na frente? Alem disso, o vidro, necessariamente espesso, é travessado duas vezes pela luz e uma dupla espessura fica em pelo menos 50 mm de vidro, o que me parece imenso.
Se tem de o enviar para espelhar (Al) a uma oficina especializada, eles lá protegem a aluminização e fica o serviço pronto com espelhagem frontal. E evita polir e figurar a tal face traseira, origem de imensos problemas, principalmente o erro em cunha (Wedge Error), que resulta de os eixos das duas faces não ficarem alinhados entre si, dado que é fácil a peça ficar em cunha, mais espessa (ligeiramente, mas com efeitos prejudiciais) numa borda em relação à borda oposta.
Presumo que seja para um telescópio de newton. É o caso?

Cumprimentos
Guilherme de Almeida
Guilherme de Almeida

Offline joaquim candeias

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Re: Reflexões sobre a escolha de um telescópio
« Responder #3 em: Fevereiro 24, 2013, 12:38:53 am »
Caro professor,
Obrigado pela resposta.
A ideia era, enquanto não tenho maneira de eu próprio fazer aluminização, ultrapassar essa desvantagem. Já fiz prateamento mas não dura mais de um ou dois meses. Noutros tempos havia onde aluminizar em Lisboa ou em Almada. Aluminizaram-me alguns (no departamento de estudos matemáticos ou na marinha), mas penso que já não é possível. Uma tentativa de uma aluminização na Univ. Nova ficou uma porcaria, pois penso que nem limparam o vidro correctamente.
Quanto ao efeito cunha, construi em tempos aparelhagem para objectivas de refracção e arranjo maneiras de medir. Como ao longo dos anos fui construindo duas máquinas, uma para fazer as superfícies convexas, outra para as côncavas, que, em poucos minutos desbastam vidros até próximo do polimento, se construisse duas ou três maquinetas de acabamento tipo "mirror-o-matic" (tenho uma), poderia por duas superfícies rapidamente prontas a polir (uma côncava e outra convexa).  Trocando as peças de posição, acabava as outras duas. Aumentando o nº de maquinetas (que são relativamente baratas e fáceis de construir, poderia fazer telescópios newton em série e a barreira da aluminização ficava resolvida.
Conheço alguém que trabalhou com uma máquina de vácuo e foi-me dito que, cada vez que se avaria, fica caríssima a reparação. Por outro lado tenho uma ignorância total sobre trabalhar com vácuo e a necessária limpeza dos vidros que, penso, têm de entrar secos na câmara.
Cordialmente,
Joaquim Candeias 

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