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Offline PauloSantos

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Antíope, um asteróide duplo
« em: Abril 02, 2007, 02:10:25 pm »
O asteróide Antíope foi descoberto em 1866 por Robert Luther, um astrónomo alemão. Em 2000, W. Merline e os seus colaboradores determinaram que o asteróide era composto por duas componentes de tamanhos semelhantes, o que faz de Antíope um asteróide duplo.

Em Janeiro de 2003, uma equipa de investigadores, liderada por P. Descamps (Observatório de Paris), deu início a uma campanha de observação do asteróide utilizando diversos telescópios, entre eles o VLT (ESO), no Chile, e o Telescópio Keck (Caltech/Nasa), no Havai.

Dois anos e meio de observações permitiram determinar com grande precisão o percurso das duas componentes do sistema. Estas estão separadas por 171 km e completam uma volta em torno uma da outra em 16,5 horas. Conhecendo a órbita, os astrónomos derivaram a massa total do sistema: 828 biliões de toneladas. Também verificaram que os dois objectos rodam à volta do seu próprio eixo com a mesma velocidade com que orbitam um em torno do outro.


Observações de Antíope com o VLT (ESO), durante 2004. Crédito: ESO.

As componentes individuais de Antíope são suficientemente pequenas para que nem os grandes telescópios as consigam resolver. Mas os astrónomos, conhecendo bem a órbita das componentes, conseguiram prever eclipses e ocultações, o que permitiu estudar indirectamente as suas formas individuais. Para este estudo, a equipa convidou astrónomos amadores e profissionais de todo o mundo a participar em campanhas de observação para medir a diminuição de brilho cada vez que um dos fenómenos ocorria.

Os novos dados permitiram determinar que os dois corpos que constituem Antíope têm a forma de elipsóides, ou seja, esferas ligeiramente deformadas, com dimensões semelhantes: 93,0 x 87,0 x 83,6 km e 89,4 x 82,8 x 79,6 km.

Este resultado coincide com o previsto pelo cientista francês Edouard Roche, em 1849, ao estudar objectos fluidos que se orbitam mutuamente. Claro que os asteróides não são líquidos, pois são sólidos, mas sua estrutura interna deve ser tão solta que os seus corpos podem moldar-se devido à influência gravitacional do companheiro.

Os investigadores determinaram a densidade das componentes de Antíope e verificaram que esta é apenas 25% superior à da água, o que significa que os asteróides são muito porosos, tendo cerca de 30% de espaço vazio. Esta estrutura explica porque é fácil estes asteróides chegarem a uma forma de equilíbrio.

Este estudo encontra-se publicado na revista científica Icarus.

Fonte: Portal do Astrónomo
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por PauloSantos »


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