Autor Tópico: Sistema de alarme põe VLT a observar fulgurações raios gama  (Lida 576 vezes)

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Offline PauloSantos

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Um novo sistema de alarme instalado no Observatório do Paranal (ESO), no Chile, permite observar as fulgurações raios gama com um dos telescópios do VLT (ESO) mal estas sejam detectadas pelo telescópio espacial SWIFT (NASA/ASI/PPARC).

No ano passado, em menos de 10 minutos após a detecção pelo Swift, o telescópio de 8,2 m Kueyen, um dos telescópios do VLT (ESO) no Observatório do Paranal, obteve uma série de espectros (com tempos de integração de 3, 5, 10, 20, 40 e 80 minutos) do pós-resplendor de uma fulguração de raios gama que ocorreu numa galáxia distante a 9,3 mil milhões de anos-luz. Este é um recorde na observação do pós-resplendor de uma fulguração, com a vantagem das observações terem sido realizadas por um dos grandes telescópios do mundo, equipado com um espectrógrafo de alta resolução.


Mensagem de alarme que aparece na consola do computador que controla o telescópio Kueyen quando o modo de resposta rápida do VLT é accionado. Os astrónomos que estiverem a observar só terão de alinhar a ranhura do espectrógrafo para que as observações comecem. Todo o procedimento é efectuado em poucos minutos. Crédito: ESO.

Uma vez accionado o alarme, o investigador principal do projecto, P. Vreeswijk (ESO), só teve de telefonar para os astrónomos de serviço no Observatório do Paranal para ver se estava tudo a correr bem. Uma vez no modo de resposta rápida do VLT, as observações são feitas automaticamente, sem intervenção humana (com a excepção do alinhamento da ranhura do espectrógrafo).

As fulgurações de raios gama são das explosões mais intensas do Universo e ocorrem aleatoriamente em galáxias distantes. Mas são fenómenos curtos. Depois da fulguração, durante a qual emitem radiação gama de alta energia, entram no período do pós-resplendor, durante o qual emitem radiação menos energética, ou seja, em comprimentos de onda mais longos. A comunidade científica concorda que as fulgurações de raios gama estão associadas à formação de buracos negros, consequência da explosão de uma estrela de massa elevada, mas a natureza exacta das fulgurações ainda é enigmática. O estudo do pós-resplendor oferece muita informação sobre o meio interestelar onde nasce um buraco negro.

Como as fulgurações de raios gama ocorrem normalmente a grandes distâncias, o pós-resplendor é muito fraco, e ainda por cima, decai rapidamente: umas horas depois da fulguração, o brilho do pós-resplendor em comprimentos de onda visivel pode ter diminuído por um factor de 500. Quanto mais cedo se conseguir observar o pós-resplendor das fulgurações de raios gama, mais informação se obtém, principalmente se se conseguir estudar fenómenos que dependem do tempo e se relacionam com a influência que a explosão da estrela tem no meio que a rodeia.

As rápidas observações do pós-resplendor com o VLT permitiram descobrir características espectrais variáveis com o tempo que se podem associar à nuvem de gás da galáxia onde a fulguração ocorreu. Os astrónomos determinaram que a nuvem é neutra mas é excitada pela radiação ultravioleta do pós-resplendor, e conseguiram identificar o mecanismo físico responsável pela excitação dos átomos. Também conseguiram medir a distância da nuvem à fulguração de raios gama: 5 500 anos-luz, uma distância bastante superior do que se pensava.


Fonte: Portal do Astrónomo
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por PauloSantos »


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